Cosmos da Filosofia
Espelho alto de moldura dourada num salão vazio, refletindo apenas o assoalho de madeira, cortado por um feixe de luz do dia

Hans Christian Andersen · 1837

A Roupa Nova do Imperador

Um imperador vaidoso encomenda um tecido que só os capazes conseguiriam ver, e ninguém quer parecer incapaz.

VerdadeConhecimento

Sobre a obra

Conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, publicado em Copenhague em 7 de abril de 1837 pelo editor C. A. Reitzel, no terceiro caderno dos Contos de fadas contados para crianças, ao lado de “A Pequena Sereia”. Dois vigaristas oferecem a um imperador vaidoso roupas magníficas que seriam invisíveis para quem é incompetente ou tolo.

Andersen partiu de uma história do Libro de los ejemplos, também chamado El Conde Lucanor (1335), de Juan Manuel, que conheceu em tradução alemã. Na fonte, os tecelões enganam um rei com roupas invisíveis para quem não fosse filho de seu suposto pai. Andersen deslocou o foco da paternidade duvidosa para o orgulho da corte e a vaidade intelectual.

O manuscrito já estava na gráfica quando o autor mudou o clímax: em vez de os súditos admirarem as roupas invisíveis, o conto passou a culminar no grito de uma criança. A expressão virou idiomática, e a história é usada para ilustrar a chamada ignorância pluralística, em que ninguém acredita, mas cada um supõe que os outros acreditam.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Sócrates e o falso saber

Na Apologia de Platão, Sócrates conta que interrogou políticos, poetas e artesãos com fama de sábios e descobriu que eles julgavam saber o que não sabiam. Sua única vantagem era não fingir. A corte do conto vive o contrário: cada ministro declara ver o tecido para não parecer incapaz do cargo. Ninguém admite que não vê, e a aparência de saber toma o lugar do exame. A pergunta socrática — o que você de fato sabe? — desmontaria o desfile num instante.