Cosmos da Filosofia
Uma penteadeira vazia com um pente de prata e um colar de pérolas largados sobre o tampo, uma vela quase apagada ao lado, luz fraca de fim de tarde entrando pela cortina

Irmãos Grimm · 1812

Branca de Neve

Uma rainha vaidosa persegue a enteada mais bela do que ela até um bosque com um espelho e uma maçã envenenada.

VirtudeSofrimento

Sobre a obra

“Sneewittchen” foi publicado em 1812 pelos Irmãos Grimm, como o conto de número 53 da coletânea de Contos de fadas para crianças e para o lar, recolhida na tradição oral de língua alemã. A versão definitiva, revisada até a edição de 1857, é a mais difundida hoje.

Na edição de 1812, a vilã que manda matar a enteada é a própria mãe biológica; a partir da edição de 1819, os Grimm a transformaram em madrasta, numa mudança que estudiosos associam ao esforço de suavizar a história para crianças.

O enredo gira em torno de um espelho mágico que revela a verdade sobre quem é mais bela, uma maçã envenenada, um caixão transparente e sete pequenos habitantes de uma casa na floresta que abrigam a fugitiva. Estudiosos discutem a história a partir da vaidade, do ciúme e dos padrões de beleza.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Sócrates e a pergunta ao espelho

O espelho mágico só diz a verdade quando perguntado, como o oráculo que provocou Sócrates a examinar quem realmente era sábio. A diferença é o uso: a rainha pergunta ao espelho só para confirmar sua própria vaidade, não para se conhecer melhor. Sócrates dizia que a vida não examinada não vale a pena ser vivida; a rainha faz o oposto, usa o exame para reforçar uma imagem de si que não suporta contradição, até que a resposta errada a leva à fúria.