Cosmos da Filosofia
Um apito de metal solitário sobre linhas de cal brancas pintadas na grama verde, em plano fechado, luz suave e uniforme, sem ninguém presente

Diego Maradona · 22 de junho de 1986

O gol de mão de Maradona (Copa de 1986)

Em quatro minutos, Maradona marcou primeiro com a mão e depois com um drible que ficou conhecido como o gol do século.

VerdadeMoral

Sobre a obra

Na partida de quartas de final da Copa do Mundo de 1986, entre Argentina e Inglaterra, disputada em 22 de junho no Estádio Azteca, na Cidade do México, Diego Maradona disputou a bola com o goleiro inglês Peter Shilton no 51º minuto do segundo tempo e a desviou para o gol com a mão esquerda — um toque ilegal pelas regras do futebol.

O árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não percebeu a infração no momento e, sem acesso a replays durante a partida, validou o gol. Na coletiva depois do jogo, Maradona descreveu o lance como feito “um pouco com a cabeça de Maradona e outro pouco com a mão de Deus”.

Quatro minutos depois, Maradona partiu em uma corrida de cerca de 60 jardas, driblando cinco jogadores ingleses até bater o goleiro Shilton outra vez — o gol que ficou conhecido como o gol do século. A Argentina venceu por 2 a 1 e avançou na competição, que viria a conquistar.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Nietzsche e os fatos que dependem de quem vê

Para Nietzsche, não existem fatos, só interpretações — e o futebol tem uma instância que decide oficialmente qual interpretação vale: o árbitro em campo. Naquele instante, nem o árbitro nem o bandeirinha viram a mão de Maradona, e sem acesso a replays, o gol foi validado como fato do jogo. Anos de vídeo repetido construíram depois uma versão pública diferente da que valeu na hora, mas o resultado oficial nunca mudou: no esporte, como em boa parte da vida, o que conta como verdade também depende de quem está autorizado a dizer o que viu.