Cosmos da Filosofia
Copo d'água sobre um criado-mudo, com ondulações concêntricas na superfície, na luz azulada do amanhecer que atravessa cortinas finas

Christopher Nolan · 2010

A Origem

Um ladrão que invade sonhos para roubar segredos recebe a missão inversa: plantar uma ideia na mente de alguém.

VerdadeTempoConsciência

Sobre a obra

Escrito e dirigido por Christopher Nolan, que o produziu com Emma Thomas, A Origem estreou em Londres em 8 de julho de 2010 e chegou aos cinemas dos Estados Unidos e do Reino Unido no dia 16. Leonardo DiCaprio vive Dom Cobb, ladrão que rouba informações invadindo o subconsciente de seus alvos enquanto eles sonham.

Nolan partiu de um tratamento de 80 páginas sobre ladrões de sonhos, pensado de início como filme de terror, e trabalhou no roteiro por nove a dez anos. Disse ter sido influenciado por filmes como Matrix, baseados na ideia de que o mundo à nossa volta pode não ser real, e por contos de Jorge Luis Borges, como As ruínas circulares.

O filme arrecadou 839 milhões de dólares e ganhou quatro Oscars, entre eles os de fotografia e efeitos visuais. Nolan misturou ficção científica, filme de assalto e noir. Críticos também o leram como metáfora do próprio cinema: numa sala escura, o espectador entra no sonho de outra pessoa, e um texto da revista Wired comparou a atividade cerebral de quem vê um filme à de quem dorme.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Descartes e o teste da vigília

Descartes observou que não há sinal seguro para distinguir o sonho da vigília. Cobb carrega um pião como teste, e sua mulher, Mal, passa a acreditar que o mundo real também é um sonho, com consequências trágicas. Na Sexta Meditação, Descartes propõe um critério menos mecânico: o que vivemos acordados se liga, pela memória, ao resto da nossa vida, enquanto os sonhos aparecem soltos. É a coerência de uma história inteira, e não um objeto, que nos diz onde estamos.