Cosmos da Filosofia
Gravador de fita cassete antigo sobre uma mesa de cozinha gasta, ao lado de uma pilha de fotografias de família desbotadas viradas para baixo, sob a luz do fim da tarde atravessando cortinas de renda

Art Spiegelman · 1980–1991

Maus

Art Spiegelman ouve o pai contar como sobreviveu ao Holocausto e transforma o relato em quadrinhos com bichos.

SofrimentoMoralVerdade

Sobre a obra

Obra de Art Spiegelman publicada em capítulos na revista Raw entre 1980 e 1991 e reunida em dois volumes pela Pantheon, em 1986 e 1991. Parte de uma tira de três páginas com o mesmo nome, de 1972. Em 1992, recebeu um prêmio especial do Pulitzer, na área de Letras, o primeiro dado a uma graphic novel.

Spiegelman entrevista o pai, Vladek, judeu polonês sobrevivente do Holocausto, sobre a vida nos anos 1930, a guerra e Auschwitz. Uma história paralela, em Nova York no fim dos anos 1970, mostra a relação difícil entre pai e filho, a sombra do suicídio da mãe, Anja, em 1968, e a culpa de Art. As entrevistas foram anotadas no papel e, depois, gravadas.

Os judeus aparecem como ratos, os alemães como gatos, os poloneses como porcos e os americanos como cães. Spiegelman se apropriou do modo como a propaganda nazista retratava os judeus como pragas e disse que suas metáforas foram feitas para se autodestruir, revelando o absurdo da própria ideia. No segundo volume, ele se desenha como um homem com máscara de rato.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kant e as máscaras de bicho

Kant sustentou que as coisas têm preço, mas o ser humano tem dignidade, e por isso nunca pode ser tratado apenas como meio. O nazismo fez o contrário: classificou pessoas como espécies e algumas como pragas. Maus devolve a metáfora contra quem a criou. Ao desenhar povos como bichos e depois mostrar as máscaras, Spiegelman expõe o absurdo de dividir a humanidade em categorias. Por trás de cada focinho há alguém que não cabe no rótulo que lhe deram.