Cosmos da Filosofia
Quarto escuro à noite, com o luar caindo sobre uma cama desfeita e um livro aberto no travesseiro, as páginas levemente borradas como num sonho

Neil Gaiman · 1989–1996

Sandman

O Senhor dos Sonhos escapa de décadas de prisão e precisa reconstruir o reino arruinado em sua ausência.

TempoMorteConsciência

Sobre a obra

Série mensal escrita por Neil Gaiman e publicada pela DC Comics em 75 edições, de janeiro de 1989 a março de 1996; a partir da edição 47, passou a sair pelo selo Vertigo. Teve vários desenhistas, entre eles Sam Kieth, Mike Dringenberg e Jill Thompson, e capas de Dave McKean. Nasceu de uma proposta para reviver um Sandman da DC dos anos 1970, e a editora Karen Berger deixou o resto por conta de Gaiman.

O protagonista é Sonho, também chamado Morfeu, um dos Perpétuos, sete irmãos que encarnam forças como Destino, Morte, Desejo, Desespero, Delírio e Destruição. Capturado por um ocultista que buscava a imortalidade, passa 70 anos preso e, ao escapar, precisa reconstruir seu reino. A série é descrita como a história de um ser que aprende que certas mudanças são inevitáveis.

Mitologia e literatura atravessam a obra. A edição 19, intitulada Sonho de uma noite de verão, como a peça de Shakespeare, ganhou o World Fantasy Award em 1991, e a última edição mostra o dramaturgo escrevendo A tempestade. O escritor Norman Mailer chamou Sandman de quadrinho para intelectuais, e a série costuma aparecer entre as maiores graphic novels já feitas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Heráclito e o rio

A série acompanha um ser apegado há bilhões de anos às próprias formas de agir, que precisa aprender que certas mudanças são inevitáveis. É a lição de Heráclito, para quem tudo flui e ninguém entra duas vezes no mesmo rio. Os estoicos herdaram a imagem: Marco Aurélio pedia que se olhasse o tempo como um rio de acontecimentos, em que nada fica parado. O drama de Sonho é o de quem entende isso com dificuldade, depois de eras agindo sempre do mesmo jeito.