Considerada a mais antiga obra de narrativa longa que se conhece, a Epopeia de Gilgamesh nasce de cinco poemas sumérios sobre o rei de Uruk, alguns talvez de c. 2100 a.C. Esses poemas independentes viraram fonte de uma epopeia acádia unificada; uma versão babilônica antiga já circulava no séc. XVIII a.C.
A versão padrão, compilada por Sin-leqi-unninni entre os séculos XIII e X a.C. e preservada em doze tábuas — cópias de qualidade foram achadas na biblioteca de Assurbanípal, no séc. VII a.C. —, conta como Gilgamesh e Enkidu se tornam amigos inseparáveis, enfrentam o monstro Humbaba e matam o Touro do Céu, atraindo a ira dos deuses, que decretam a morte de Enkidu.
Devastado, Gilgamesh parte em busca de Utnapishtim, único sobrevivente humano de um dilúvio enviado pelos deuses, esperando aprender o segredo da vida eterna. Utnapishtim lhe diz que a morte é a parte reservada aos homens desde a criação. Gilgamesh ainda consegue uma planta que devolve a juventude, mas a perde para uma serpente enquanto se banha, e volta a Uruk de mãos vazias — onde, ao ver as muralhas que mandara construir, as elogia como a obra que vai lhe sobreviver.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.