Eurídice morre picada por uma cobra ao fugir do assédio de um pastor (Aristeu, no relato de Virgílio, séc. I a.C.). Tomado de dor, Orfeu desce ao mundo dos mortos e, com sua música, comove Hades e Perséfone, que concordam em devolvê-la — sob uma condição: ele deve caminhar à frente dela e não olhar para trás até que ambos alcancem a superfície.
Em Ovídio (Metamorfoses), Eurídice morre no próprio dia do casamento, dançando com náiades. Nas duas versões antigas mais completas, o desfecho é o mesmo: já perto da saída, Orfeu se volta para checar se ela o segue, e Eurídice, ainda não totalmente fora do mundo dos mortos, desaparece de novo, dessa vez para sempre.
A menção mais antiga que resta é bem diferente: no Banquete de Platão (séc. IV a.C.), um dos convidados conta que os deuses do mundo dos mortos apenas mostraram a Orfeu uma aparição de Eurídice, como punição por sua covardia — em vez de morrer por amor, ele teria tentado entrar vivo no mundo dos mortos, driblando a morte com sua arte.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.