O relato mais antigo está na Teogonia de Hesíodo (séc. VIII a.C.): o titã Prometeu engana Zeus na partilha de um sacrifício em Mecone, fazendo os deuses ficarem com ossos envoltos em gordura e os homens, com a carne. Depois disso, Prometeu rouba o fogo dos deuses, escondido num caule de erva-doce, e o entrega à humanidade.
A peça Prometeu Acorrentado, atribuída a Ésquilo (séc. V a.C.), é o tratamento dramático mais famoso do mito: nela, Prometeu enumera as técnicas que ensinou aos homens — fogo, números, escrita, medicina, metalurgia — e diz ter impedido Zeus de exterminá-los de vez. O castigo de Zeus é eterno: uma águia devora seu fígado, que se regenera durante a noite para ser devorado de novo, até que Héracles finalmente o liberta. Uma tradição posterior, registrada por Apolodoro (Biblioteca, séc. I–II d.C.), atribui ainda a Prometeu a modelagem dos primeiros homens em barro e água.
Já no diálogo Protágoras, de Platão (séc. IV a.C.), o sofista Protágoras conta uma versão diferente do mito: Prometeu deu aos homens o fogo e as técnicas, mas não conseguiu entrar no palácio de Zeus para lhes dar também a sabedoria política — por isso Zeus manda Hermes distribuir a todos, igualmente, o senso de justiça e de vergonha.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.