No Canto XII da Odisseia de Homero (séc. VIII a.C.), a feiticeira Circe avisa Ulisses sobre as sereias, cujo canto promete a quem escuta conhecer todas as dores que gregos e troianos sofreram — e é irresistível a ponto de fazer os marinheiros esquecerem tudo, inclusive a própria vida.
Seguindo o conselho de Circe, Ulisses manda a tripulação tapar os ouvidos com cera de abelha e pede para ser amarrado com força ao mastro do navio, com ordens de nunca ser solto, aconteça o que acontecer. Ao ouvir o canto, ele se debate e implora para ser libertado; os companheiros, fiéis à ordem original, o amarram ainda mais apertado, até deixarem as sereias para trás.
Homero não descreve a aparência das sereias nem diz quantas são. A classicista Jane Ellen Harrison observou que, diferente de outras tentações, o canto delas seduz o espírito, não o corpo, e associou a cena a uma espécie de letargia fatal, prenúncio de morte.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.