Kant e os deveres para consigo mesma
No terceiro ato, quando Torvald lembra a Nora que seus deveres mais sagrados são os de esposa e mãe, ela responde que tem outros deveres tão sagrados quanto esses: os deveres para consigo mesma. Kant reconhecia justamente essa categoria — deveres que temos para com nós mesmos, decorrentes de sermos seres racionais, e não apenas instrumentos para os fins de outra pessoa. Ao dizer que precisa, antes de tudo, descobrir por si mesma o que é certo, Nora reivindica a autonomia que Kant considerava a marca de todo ser racional: pensar com a própria cabeça, em vez de aceitar de fora o que lhe dizem que deve ser.




