Cosmos da Filosofia
Uma mesa de estudo antiga coberta de livros abertos e frascos de vidro escuro, uma vela quase consumida, sem pessoas visíveis

Johann Wolfgang von Goethe · 1808–1832

Fausto

Um sábio insatisfeito com tudo o que aprendeu aposta com o diabo se algum instante da vida bastaria para saciá-lo.

VontadeConhecimentoExistência

Sobre a obra

Fausto é a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, escrita ao longo de mais de sessenta anos: a Parte I saiu em 1808, e a Parte II, só depois de sua morte, em 1832. É um drama poético monumental, que mistura fontes cristãs, medievais, clássicas e populares em torno da lenda alemã do doutor Fausto.

Fausto é um erudito amargurado por sentir que estudou filosofia, direito, medicina e teologia sem chegar a nada que realmente importe. Ao encontrar o demônio Mefistófeles, não firma o pacto tradicional de vender a alma por poder: aposta que nenhum prazer ou experiência que Mefistófeles lhe oferecer bastará para fazê-lo desejar que aquele instante dure para sempre — se isso acontecer, aceita morrer e servir ao diabo.

Na Parte I, a aposta leva Fausto a seduzir a jovem Margarete, cuja vida é destruída pelo envolvimento. Na Parte II, ele passa por experiências políticas, estéticas e míticas em busca de um projeto que dê sentido à sua ambição. Ao final, Goethe faz Fausto ser salvo pela graça divina — intercedida pela própria Margarete — por nunca ter deixado de se esforçar e buscar algo maior.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Schopenhauer e a vontade insaciável

Fausto encarna quase à perfeição o que Schopenhauer chamaria, décadas depois, de vontade: uma força cega que nunca se satisfaz, e para a qual todo desejo realizado apenas abre espaço para o desejo seguinte. A aposta da peça é, no fundo, uma aposta sobre essa vontade — Mefistófeles acredita que ela pode ser saciada; Fausto, que sua própria natureza é buscar sempre mais. Para Schopenhauer, essa busca sem fim é a fonte do sofrimento humano; a diferença é que Goethe, ao final, redime justamente quem nunca parou de buscar.