Cosmos da Filosofia
Estrada de terra vazia serpenteando por um vale verde em direção a uma cidade murada distante ao amanhecer, com uma placa de madeira sem inscrições e névoa baixa sobre os campos

A.C.G.T · 2003

Kino's Journey

Uma viajante e sua moto falante cruzam países de costumes estranhos, sem nunca ficar mais de três dias em cada um.

JustiçaMoralLiberdade

Sobre a obra

Primeira adaptação para a TV da série de light novels de Keiichi Sigsawa, com ilustrações de Kouhaku Kuroboshi, iniciada em 2000. Produzida pelos estúdios A.C.G.T e Genco, com direção de Ryūtarō Nakamura, roteiro de Sadayuki Murai e música de Ryo Sakai, a série teve 13 episódios, exibidos pelo canal via satélite WOWOW entre 8 de abril e 8 de julho de 2003. Em 2017, o estúdio Lerche fez uma nova versão.

A protagonista, Kino, viaja com Hermes, uma motocicleta falante, por um mundo de países e florestas, cada um com costumes e habitantes próprios. Ela passa só três dias e duas noites em cada lugar, sem exceção, pelo princípio de que esse tempo basta para conhecer quase tudo de importante e ainda sobra tempo para novas terras. O nível de tecnologia varia de país para país, cheio de anacronismos, e o mundo tem ar de conto de fadas.

O tema recorrente dos livros e do anime é resumido pela ideia de que o mundo não é belo, e por isso é belo. O diretor Ryūtarō Nakamura falou em um sentido radical de beleza, e a série costuma contrapor brutalidade, solidão, absurdo, opressão e tragédia a momentos de compaixão. Até 2017, os romances tinham vendido cerca de 8,2 milhões de exemplares no Japão.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Schopenhauer e os porcos-espinhos

No primeiro episódio, Kino chega a um país cujos habitantes beberam um líquido que lhes permitia ler os pensamentos uns dos outros, na esperança de criar harmonia. Deu-se o contrário: conhecer sem filtro o que todos pensavam desfez a convivência, e cada um passou a viver isolado dos demais. Schopenhauer contou uma parábola parecida: porcos-espinhos se aproximam no inverno para se aquecer, se ferem com os espinhos e acabam encontrando uma distância moderada. Para ele, a convivência depende de alguma reserva.