Cosmos da Filosofia
Floresta de cedros na montanha com névoa ao amanhecer, pedras cobertas de musgo à beira de um riacho raso, com pólen e poeira brilhando nos feixes de sol entre os troncos

Artland · 2005–2006

Mushishi

Num Japão imaginado entre as eras Edo e Meiji, um viajante estuda seres que quase ninguém vê e que não são maus.

VontadeAtaraxia

Sobre a obra

Mushishi adapta o mangá de Yuki Urushibara, publicado em revistas da Kodansha de 1999 a 2008 e vencedor do Prêmio Kodansha de Mangá em 2006. A primeira temporada do anime foi produzida pelo estúdio Artland, com direção de Hiroshi Nagahama, e teve 26 episódios, exibidos de outubro de 2005 a junho de 2006 pela Fuji TV e, os seis últimos, pela BS Fuji. Uma continuação estreou em 2014, e um filme, em 2015.

A série se passa num tempo imaginário entre os períodos Edo e Meiji. Nele existem os mushi, as mais primitivas das formas de vida, mais elementares que animais, plantas, fungos ou bactérias, que a maioria das pessoas não consegue perceber. Ginko, um mestre de mushi, viaja de lugar em lugar para estudá-los e ajudar quem sofre por causa deles. Cada episódio conta uma história independente.

Na obra, os mushi não são maus: apenas tentam sobreviver, como todos. Nagahama citou como influências na construção da atmosfera lenta os quadrinhos de Frank Miller, dramas de TV da infância e os diretores Osamu Dezaki e Yoshiaki Kawajiri. Contou que tentou preencher o que o mangá não mostrava e que disse ao diretor de som que o som não devia se impor, podendo até não haver som algum.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

O Tao e a natureza imparcial

No Tao Te Ching, atribuído a Laozi, o céu e a terra não são benevolentes: tratam todos os seres com a mesma imparcialidade. Zhuangzi acrescentava que o critério humano não é o único, e que o que é bom para nós não vale para o peixe ou o macaco. Os mushi da série são assim: não desejam o bem nem o mal de ninguém e seguem o próprio modo de existir. A dor nasce quando esse modo cruza com o dos humanos.