Cosmos da Filosofia
Lanterna de vidro com uma vela acesa sobre um terraço vazio ao entardecer, com nuvens de tempestade se acumulando sobre uma cidade desfocada ao longe

Shaft · 2011

Puella Magi Madoka Magica

Uma criatura oferece a meninas qualquer desejo em troca de lutarem como garotas mágicas, e o preço do contrato demora a aparecer.

VontadeSofrimentoMoral

Sobre a obra

Série de televisão animada pelo estúdio Shaft, exibida no Japão entre 7 de janeiro e 22 de abril de 2011, em 12 episódios. A direção é de Akiyuki Shinbo, com Yukihiro Miyamoto como diretor de série. O roteiro é de Gen Urobuchi, o primeiro que ele escreveu sozinho para um anime; o design original dos personagens é de Ume Aoki, e a música, de Yuki Kajiura. Os dois últimos episódios foram adiados pelo terremoto de Tōhoku.

A história acompanha meninas do ensino fundamental da cidade de Mitakihara. Uma criatura com aparência de gato, Kyubey, oferece a elas um contrato: realizar qualquer desejo em troca de poderes mágicos e da tarefa de combater seres chamados bruxas. Madoka Kaname hesita, alertada por Homura Akemi, uma aluna recém-transferida, e aos poucos percebe que a vida de garota mágica é feita de sofrimento e dor.

O produtor Atsuhiro Iwakami quis uma obra original. Urobuchi, pouco familiarizado com o gênero das garotas mágicas, estudou nele aspectos problemáticos ou ignorados e citou o autor de horror Stephen King, enquanto a divulgação escondia o tom sombrio atrás de um visual inocente. Na revista Neo, o jornalista Matt Kamen escreveu que a série fez pelas garotas mágicas o que Neon Genesis Evangelion fez pelos robôs gigantes. Ganhou o grande prêmio de animação do 15º Japan Media Arts Festival.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Kyubey e o cálculo utilitarista

Quando Kyubey revela seu propósito, recolher a energia das emoções das garotas para conter a entropia e adiar a morte térmica do universo, a série põe em cena um cálculo utilitarista levado ao extremo: o sofrimento de algumas pessoas seria um preço razoável pelo bem de todo o cosmos. Kant veria o erro justamente aí. Para ele, a humanidade em cada pessoa deve ser tratada sempre como fim, nunca apenas como meio, e um contrato que esconde seu verdadeiro preço não respeita a razão de quem o aceita.