Cosmos da Filosofia
Xícara de cerâmica lascada e um disco de vinil antigo sobre uma varanda de madeira gasta ao entardecer, ao lado de uma vela prestes a se apagar, sob uma luz quente que se esvai

Manglobe · 2004–2005

Samurai Champloo

Uma garota e dois espadachins cruzam um Japão do período Edo embalado por hip-hop.

MorteExistênciaJustiça

Sobre a obra

Samurai Champloo foi a primeira série de TV do estúdio Manglobe, com direção de Shinichirō Watanabe. Os 26 episódios estrearam na Fuji TV em maio de 2004, e os últimos foram exibidos em março de 2005. Watanabe começou a planejar a série em 1999, juntando duas coisas de que gostava muito: as clássicas aventuras de samurai do cinema e da TV e o hip-hop. A trilha foi composta por Tsutchie, Fat Jon, Nujabes e Force of Nature.

A história se passa numa versão ficcional do Japão do período Edo, cheia de referências anacrônicas. Fuu, garçonete de uma casa de chá, salva da execução Mugen, um fora da lei das ilhas Ryukyu que usa técnicas de espada aprendidas sozinho, e Jin, um ronin calmo e contido, mestre de um estilo de esgrima criado no início do período Edo. Depois, obriga os dois a ajudá-la a encontrar um samurai que cheira a girassóis.

Watanabe definiu como tema central a representação e a aceitação da morte, que já havia explorado em Macross Plus e Cowboy Bebop. A série também trata da individualidade e valoriza a tolerância com minorias, como o povo ainu, estrangeiros, pessoas LGBT e cristãos. O diretor aproximou a cultura samurai do hip-hop por uma filosofia parecida de afirmação da identidade; o título vem do termo okinawano chanpurū, e Watanabe comparou a combinação de elementos da série ao sentido dessa palavra.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Aprender a morrer

Se o tema central é aceitar a morte, a série retoma uma velha lição. No Fédon, Platão mostra Sócrates sereno diante da execução, conversando com os amigos até o fim, e a ideia de que filosofar é preparar-se para morrer atravessou os séculos. Sêneca repetia que aprender a morrer é aprender a viver: quem não teme a morte não pode ser escravizado por nada. Numa história de espadachins que arriscam a vida em combate, a pergunta é se esse risco prende ao medo ou liberta dele.