Cosmos da Filosofia
Uma pilha de grãos secos sobre uma pedra plana num campo já coberto de geada, sob um céu cinzento de fim de outono

Esopo e Jean de La Fontaine · Antiguidade grega (Esopo); 1668 (La Fontaine)

A Cigarra e a Formiga

Uma cigarra que cantou o verão inteiro pede comida a uma formiga quando chega o inverno.

TempoMoral

Sobre a obra

A fábula é atribuída a Esopo, na Grécia antiga: uma cigarra canta e dança o verão todo, enquanto a formiga trabalha para guardar comida. No inverno, a cigarra faminta pede ajuda, e a formiga recusa, dizendo que ela dance o inverno também. A moral valoriza o trabalho e o planejamento.

Jean de La Fontaine abriu o primeiro livro de suas Fábulas, em 1668, com essa história, mantendo o núcleo do enredo, mas sem dar um julgamento final: sua única crítica é que a formiga não teve generosidade quando a cigarra pediu um empréstimo. A versão de La Fontaine amplia o debate para os temas da compaixão e da caridade.

O original grego traz uma cigarra, mantida também nas traduções em latim e em línguas românicas; versões do norte da Europa costumam trocá-la por um gafanhoto. Há ainda uma contrafábula, catalogada no Índice de Perry, em que a formiga é retratada como gananciosa e mesquinha.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Aristóteles: entre o necessário e o contemplativo

Aristóteles valorizava a prudência prática que garante a sobrevivência, mas também considerava a vida contemplativa e o cultivo das artes como a atividade mais própria do ser humano. A formiga encarna a primeira virtude; a cigarra, ocupada em cantar, talvez estivesse exercendo algo mais perto da segunda. A fábula tradicional pune a cigarra, mas uma leitura aristotélica perguntaria se uma vida só de labuta, sem nenhum tempo para a música, também não seria incompleta.