Cosmos da Filosofia
Espuma do mar se desfazendo numa praia de seixos escuros ao amanhecer, com uma pedra lisa meio coberta pela onda que recua e névoa clara sobre a água

Hans Christian Andersen · 1837

A Pequena Sereia

Uma jovem do fundo do mar abre mão da própria voz para viver entre os humanos e conquistar um amor e uma alma.

SofrimentoVontadeMorte

Sobre a obra

“Den lille havfrue” foi publicado em 7 de abril de 1837, em Copenhague, pelo editor C. A. Reitzel, na primeira coletânea de Contos de fadas contados para crianças, de Hans Christian Andersen. É uma história literária, com autor conhecido, e não um conto recolhido da tradição oral.

Andersen se inspirou em Undine, mas rejeitou a ideia de que a alma só se obtém pelo amor romântico. Segundo ele, deixou sua sereia seguir um caminho mais natural e mais divino. Alguns estudiosos leem o conto como uma carta de amor alegórica a Edvard Collin, com base na correspondência do autor à época.

Os estudiosos destacam os temas do amor não correspondido e do sacrifício, do desejo de uma alma imortal, do sofrimento como preço da transformação e da condição de estrangeira, em dois mundos. O final de Andersen é trágico, mas redentor, bem diferente do final feliz do filme da Disney de 1989.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Platão e o desejo de eternidade

No Banquete, Platão faz Diotima explicar que Eros é desejo do que nos falta e, em última instância, desejo de possuir o bem para sempre. Amar é, portanto, querer também a imortalidade. A sereia deseja ao mesmo tempo o príncipe e uma alma que não se dissolva com o corpo, e o conto une as duas coisas como Platão faz. Só que, aqui, o desejo custa caro: ela troca o que tem pelo que lhe falta.