Em 1990, o advogado e escritor americano Mike Godwin formulou a ideia que ficou conhecida como “lei de Godwin”: à medida que uma discussão on-line se prolonga, a probabilidade de alguém fazer uma comparação com Hitler ou o nazismo se aproxima de 1. Ele publicou a formulação pela primeira vez num grupo de discussão da Usenet em 18 de agosto de 1991, descrevendo-a como “um experimento em memética” — uma tentativa deliberada de conter comparações apressadas com o Holocausto.
A lei nasceu para as discussões em grupos de notícias da Usenet, mas se espalhou para fóruns, salas de bate-papo, redes sociais e até discursos e artigos fora da internet, sempre que uma comparação com Hitler é usada para tentar encerrar ou vencer um debate por exagero retórico. Alguns fóruns chegaram a adotar um corolário informal: quem faz a comparação primeiro perde automaticamente a discussão.
Em 2012, a expressão entrou na terceira edição do Oxford English Dictionary. Um estudo de pesquisadores de Harvard, de 2021, encontrou poucas comparações nazistas no Reddit, o que questiona a frequência prevista pela lei. O próprio Godwin sempre insistiu que sua intenção era pedagógica, não a de descrever uma falácia lógica: a comparação deveria funcionar como um convite à reflexão sobre o exagero, não como um argumento que encerra a conversa.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.