Cosmos da Filosofia
Uma balança de latão antiga totalmente pendida para um lado por causa de uma única pedra pesada, sobre uma escrivaninha de madeira sob luz de abajur

Mike Godwin · 1990

A lei de Godwin

Quanto mais longa a discussão on-line, maior a chance de alguém comparar o outro a Hitler.

MoralVerdade

Sobre a obra

Em 1990, o advogado e escritor americano Mike Godwin formulou a ideia que ficou conhecida como “lei de Godwin”: à medida que uma discussão on-line se prolonga, a probabilidade de alguém fazer uma comparação com Hitler ou o nazismo se aproxima de 1. Ele publicou a formulação pela primeira vez num grupo de discussão da Usenet em 18 de agosto de 1991, descrevendo-a como “um experimento em memética” — uma tentativa deliberada de conter comparações apressadas com o Holocausto.

A lei nasceu para as discussões em grupos de notícias da Usenet, mas se espalhou para fóruns, salas de bate-papo, redes sociais e até discursos e artigos fora da internet, sempre que uma comparação com Hitler é usada para tentar encerrar ou vencer um debate por exagero retórico. Alguns fóruns chegaram a adotar um corolário informal: quem faz a comparação primeiro perde automaticamente a discussão.

Em 2012, a expressão entrou na terceira edição do Oxford English Dictionary. Um estudo de pesquisadores de Harvard, de 2021, encontrou poucas comparações nazistas no Reddit, o que questiona a frequência prevista pela lei. O próprio Godwin sempre insistiu que sua intenção era pedagógica, não a de descrever uma falácia lógica: a comparação deveria funcionar como um convite à reflexão sobre o exagero, não como um argumento que encerra a conversa.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Aristóteles e a persuasão pela emoção

Na Retórica, Aristóteles descreve o páthos — a emoção do público — como um dos três meios de persuasão, ao lado do caráter de quem fala e da força do argumento, e adverte que um orador pode explorá-lo para vencer sem de fato argumentar. A comparação com Hitler funciona assim: não demonstra que a posição do outro está errada, apenas a associa a uma imagem tão carregada que o debate se torna impossível de continuar. A lei de Godwin nomeia, numa linguagem de internet, essa velha tática retórica — explorar o horror do ouvinte no lugar de examinar o argumento.