Cosmos da Filosofia
Um mouse de computador sobre um labirinto impresso em papel, desenhado em linhas finas pretas, sob luz dura vinda de cima, sem texto ou logotipos

Harry Brignull · 2010

Dark patterns

Interfaces desenhadas de propósito para induzir o usuário a fazer o que não faria se entendesse a situação.

MoralVerdadeLiberdade

Sobre a obra

O designer de experiência do usuário britânico Harry Brignull cunhou o termo "dark pattern" em 28 de julho de 2010, ao registrar o site darkpatterns.org. A ideia era reunir, numa biblioteca pública de exemplos, interfaces desenhadas para enganar quem as usa, e expor publicamente as empresas responsáveis por elas.

Um dark pattern é uma interface desenhada de propósito para levar o usuário a fazer algo que não faria se entendesse claramente a situação — como contratar um seguro caro sem querer ou assinar uma cobrança recorrente sem perceber. Entre os tipos mais comuns estão o "roach motel" (fácil entrar, difícil cancelar) e o "confirmshaming", que usa frases de constrangimento para pressionar o usuário a aceitar algo.

Governos passaram a agir contra a prática: um relatório da Comissão Europeia de 2022 encontrou dark patterns em 97% dos sites populares analisados; a Califórnia proibiu, em 2021, interfaces que dificultem a recusa de dados pessoais; e a agência americana FTC processou a Amazon em 2023 por assinaturas do Prime difíceis de cancelar, chegando a um acordo de US$ 2,5 bilhões em 2025.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kant e a manipulação como meio

Kant considerava errado tratar outra pessoa apenas como meio para um fim, sem respeitar sua capacidade de decidir por si mesma com informação clara. Um dark pattern faz exatamente isso: usa o design da tela para conduzir o clique do usuário para onde a empresa quer, em vez de para onde ele decidiria ir se entendesse bem as opções. A pessoa continua, tecnicamente, livre para escolher — mas a interface foi construída para que essa liberdade funcione mal, a favor de quem desenhou a tela, não de quem a usa.