Cosmos da Filosofia
Cancela listrada de uma fronteira abaixada sobre uma estrada vazia à noite, sob neve fina e a luz alaranjada de um único poste

Lucas Pope · 2013

Papers, Please

Um inspetor de fronteira num país fictício confere passaportes e decide quem entra, enquanto a família depende do salário.

JustiçaMoral

Sobre a obra

Papers, Please foi criado por Lucas Pope, que o desenvolveu e publicou de forma independente pela 3909 LLC. Saiu em 8 de agosto de 2013 para Windows e OS X, e depois para Linux, iOS, PlayStation Vita e Android. Ganhou o Grande Prêmio Seumas McNally do Independent Games Festival e é considerado por vários jornalistas um exemplo do videogame como forma de arte.

Em 1982, o jogador é inspetor de imigração na fronteira de Arstotzka, país fictício e distópico que encerrou uma guerra de seis anos com a vizinha Kolechia. A cada dia, recebe regras sobre os documentos exigidos, cada vez mais complexas, e precisa achar discrepâncias. Ganha por pessoa processada corretamente, perde com multas por erros e precisa pagar aluguel, comida e aquecimento para a família.

Pope se interessou pelo trabalho dos agentes de controle de passaportes em viagens pela Ásia e nas voltas aos Estados Unidos, ao notar que eles repetiam a mesma tarefa sem parar. O modo história tem vinte finais possíveis, conforme as ações do jogador. O crítico Ben Croshaw, da série Zero Punctuation, destacou que o jogo oferece escolhas morais constantes, mas torna muito difícil ser uma boa pessoa.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Arendt e a banalidade do mal

Ao acompanhar o julgamento de Adolf Eichmann, Hannah Arendt falou da banalidade do mal: grandes crimes podem ser cometidos por funcionários comuns, que cumprem procedimentos sem parar para pensar no que fazem. Papers, Please põe o jogador exatamente nesse lugar. Conferir datas, carimbar, recusar: cada ato é pequeno e repetitivo, e as regras vêm de cima. O jogo obriga a notar o que a rotina esconde, que cada documento aprovado ou negado decide o destino de alguém.