Cosmos da Filosofia
Rua deserta de uma cidade à noite depois da chuva, com um único poste aceso e uma folha de papel dobrada colada ao meio-fio molhado, sombras longas

Alan Moore e Dave Gibbons · 1986–1987

Watchmen

Num 1985 alternativo, os heróis mascarados foram postos fora da lei, e a pergunta é quem vigia quem tem poder.

JustiçaMoralVontade

Sobre a obra

Série em doze edições publicada pela DC Comics entre setembro de 1986 e outubro de 1987, com roteiro de Alan Moore, desenhos de Dave Gibbons e cores de John Higgins, reunida em livro em 1987. Moore partiu de personagens da Charlton Comics, comprados pela DC em 1983, mas o editor Dick Giordano o convenceu a criar heróis próprios.

A história se passa em um 1985 alternativo, em que a existência de heróis mudou o rumo dos acontecimentos: os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã e Nixon continua presidente. Uma lei de 1977 proibiu os vigilantes fantasiados: o Comediante e o Doutor Manhattan seguem em ação a serviço do governo, e Rorschach age fora da lei. As páginas seguem uma grade de nove quadros, e todas as edições, menos a última, terminam com textos em prosa.

O título remete à pergunta do poeta satírico romano Juvenal: quem vigia os próprios vigilantes? Moore disse que a série passou a tratar do poder e da ideia do super-homem dentro da sociedade, e que tentou de propósito deixar o leitor inquieto. A série ganhou o prêmio Hugo em 1988 e entrou na lista dos 100 melhores romances da revista Time.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Platão e o anel de Giges

Na República, Gláucon desafia Sócrates com o anel de Giges, que torna invisível quem o usa: alguém continuaria justo se pudesse agir sem ser visto nem punido? A máscara dos vigilantes funciona como esse anel. Platão chega a esbarrar na pergunta do título, quando Gláucon acha ridículo que um guardião precise de outro guardião; sua aposta é a educação de quem governa. Watchmen parte da desconfiança oposta: nada garante que quem se diz protetor da cidade seja melhor do que ela.