A versão mais completa e famosa é a de Ovídio, nas Metamorfoses (séc. I d.C.): um vidente prediz que Narciso viverá muito, desde que nunca veja o próprio rosto. A deusa Nêmesis o castiga por rejeitar todos os pretendentes fazendo-o se apaixonar pelo próprio reflexo num lago; ele morre ali, sem conseguir se afastar da imagem, e no lugar nasce a flor que leva seu nome.
É provavelmente Ovídio quem introduz a ninfa Eco na história. Punida por Juno — que a condenara a só repetir as últimas palavras ouvidas, depois de usar sua conversa para distrair a deusa —, Eco se apaixona por Narciso, mas só consegue ecoar o que ele diz. Rejeitada, definha de tristeza até restar dela apenas a voz.
Uma versão anterior, de Partênio de Niceia (c. 50 a.C.), é mais breve e não menciona Eco. Já o geógrafo Pausânias (séc. II d.C.) registra ainda outra variante, que considera mais crível: Narciso teria se voltado para o próprio reflexo para se consolar da morte de uma irmã gêmea idêntica a ele, e não por vaidade.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.