Heródoto (Histórias, séc. V a.C.) conta a versão histórica: Giges é guarda-costas do rei lídio Candaules, que o obriga a ver a rainha nua para provar que ela é a mulher mais bela do mundo. Humilhada, ela dá a Giges a escolher entre matar o rei ou morrer; ele mata Candaules e assume o trono, legitimando-se depois com oferendas ao oráculo de Delfos.
No século seguinte, Platão reconta a história de outro jeito em A República (Livro II): no diálogo, o personagem Glauco narra como um pastor encontra, dentro de um cavalo de bronze aberto por um terremoto, o corpo de um homem usando um anel — um anel que, ao ser girado, torna quem o usa invisível. Com esse poder, o pastor seduz a rainha, mata o rei e toma o trono.
Glauco usa a história para desafiar Sócrates: será que alguém continuaria agindo com justiça se pudesse fazer qualquer coisa sem jamais ser descoberto? Ele sugere que ninguém resistiria à tentação de pegar o que quisesse se pudesse fazê-lo em segurança — e que a justiça só existiria por medo do castigo, não por ser boa em si mesma.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.