Segundo Ovídio (Metamorfoses, Livro XI), o deus Dioniso oferece um desejo a Midas, rei da Frígia, em troca de ter tratado bem o sátiro Sileno. Midas pede que tudo o que tocar vire ouro. A alegria dura pouco: comida e bebida também viram ouro em suas mãos, e ele corre risco de morrer de fome, até implorar a Dioniso para desfazer o dom — o deus manda Midas se lavar no rio Pactolo, que desde então ficaria rico em ouro.
Aristóteles, na Política (1257b, séc. IV a.C.), cita a lenda para outro fim: nela, o desejo insaciável de Midas faz com que todos os pratos servidos a ele virem ouro, e Aristóteles usa a imagem para mostrar como é ridícula uma riqueza que, mesmo em abundância, não livra ninguém da fome. Heródoto, mais cedo (séc. V a.C.), já mencionava um Midas, filho de Gordias, que fez oferendas ao oráculo de Delfos — possivelmente uma figura histórica por trás do mito.
Uma segunda história se associa a Midas: ao julgar um concurso musical entre Apolo e Pã e discordar de que Apolo fosse o melhor, Midas ganha do deus orelhas de burro. Incapaz de guardar segredo, seu barbeiro sussurra o fato num buraco no chão, e os juncos que crescem ali passam a repetir a notícia ao vento.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.