Cosmos da Filosofia
Uma travessa de banquete vazia sobre uma mesa de madeira escura, coberta por um fino véu dourado, à luz de velas.

Mitologia grega · séc. V a.C. – séc. I d.C.

Rei Midas e o toque de ouro

Pede que tudo o que tocar vire ouro — e quase morre de fome quando o desejo se realiza.

VirtudeFelicidadeVerdade

Sobre a obra

Segundo Ovídio (Metamorfoses, Livro XI), o deus Dioniso oferece um desejo a Midas, rei da Frígia, em troca de ter tratado bem o sátiro Sileno. Midas pede que tudo o que tocar vire ouro. A alegria dura pouco: comida e bebida também viram ouro em suas mãos, e ele corre risco de morrer de fome, até implorar a Dioniso para desfazer o dom — o deus manda Midas se lavar no rio Pactolo, que desde então ficaria rico em ouro.

Aristóteles, na Política (1257b, séc. IV a.C.), cita a lenda para outro fim: nela, o desejo insaciável de Midas faz com que todos os pratos servidos a ele virem ouro, e Aristóteles usa a imagem para mostrar como é ridícula uma riqueza que, mesmo em abundância, não livra ninguém da fome. Heródoto, mais cedo (séc. V a.C.), já mencionava um Midas, filho de Gordias, que fez oferendas ao oráculo de Delfos — possivelmente uma figura histórica por trás do mito.

Uma segunda história se associa a Midas: ao julgar um concurso musical entre Apolo e Pã e discordar de que Apolo fosse o melhor, Midas ganha do deus orelhas de burro. Incapaz de guardar segredo, seu barbeiro sussurra o fato num buraco no chão, e os juncos que crescem ali passam a repetir a notícia ao vento.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Aristóteles e a riqueza sem limite

Aristóteles usa Midas para separar dois tipos de riqueza: a que serve à vida — administrar uma casa, ter o necessário para viver bem — e a que persegue dinheiro por si mesmo, sem limite natural algum, como o comércio movido só pelo lucro. Midas, com todo o ouro do mundo, ainda assim corria risco de morrer de fome: prova, para Aristóteles, de que confundir dinheiro com riqueza de verdade é um erro capaz de destruir quem o comete.