As Nuvens é uma comédia de Aristófanes, encenada nas Grandes Dionísias de Atenas em 423 a.C. Estrepsíades, um velho fazendeiro endividado pelas apostas de corrida de cavalos do filho, matricula-se no “Pensatório” de Sócrates para aprender argumentos que o livrem dos credores. Quando o filho, Fidípides, frequenta a escola em seu lugar, aprende a retórica que privilegia o “Argumento Injusto” — e a usa para justificar espancar o próprio pai.
A peça retrata Sócrates como um sofista mercenário, suspenso numa cesta para observar os astros e ensinando ateísmo e trapaça verbal por dinheiro. Comentadores notam que Aristófanes confundiu Sócrates com os sofistas que ele próprio, segundo os relatos de Platão e Xenofonte, criticava — a comédia usa o filósofo mais conhecido de Atenas como símbolo de um movimento intelectual mais amplo.
Décadas depois, no julgamento que terminaria com sua condenação à morte, Sócrates citou As Nuvens, na Apologia de Platão, como fonte de um preconceito antigo contra ele, anterior às acusações formais de corrupção da juventude e impiedade. Para ele, a caricatura de Aristófanes já havia formado a opinião de jurados que a assistiram jovens.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.