Cosmos da Filosofia
Sala de cirurgia vazia à noite num hospital europeu antigo, com uma única luz cirúrgica acesa sobre a mesa de operação desocupada, chuva numa janela alta e luz azul fria

Madhouse · 2004–2005

Monster

Um neurocirurgião japonês na Alemanha salva a vida de um menino e vê a própria vida virar do avesso.

MoralJustiçaLiberdade

Sobre a obra

Monster adapta o mangá de Naoki Urasawa, publicado na revista Big Comic Original de 1994 a 2001 e premiado com o Prêmio Cultural Osamu Tezuka e o Prêmio Shogakukan de Mangá. O anime foi produzido pelo estúdio Madhouse, com direção de Masayuki Kojima, roteiro de Tatsuhiko Urahata e música de Kuniaki Haishima, e exibido pela Nippon TV de abril de 2004 a setembro de 2005, em 74 episódios.

Kenzo Tenma é um neurocirurgião japonês num hospital de Düsseldorf, na Alemanha Ocidental, desiludido com a prática de priorizar pacientes politicamente influentes em vez dos que mais precisam. Contrariando ordens, ele opera Johan Liebert, um menino ferido que chegou depois de um massacre, em vez do prefeito da cidade, que morre. A decisão prejudica sua carreira e, anos depois, o leva a uma perseguição pela Alemanha e pela Tchecoslováquia.

Urasawa conta que a ideia nasceu da série americana O Fugitivo, dos anos 1960, sobre um médico condenado injustamente por assassinato. Escolheu a Alemanha porque a medicina japonesa foi muito influenciada pela alemã e porque o pós-guerra permitia incluir o movimento neonazista. O músico David Sylvian, autor do primeiro tema de encerramento, disse ter sido atraído pelo dilema moral do protagonista.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kant e a vida sem preço

A primeira decisão de Tenma é recusar a regra do hospital que põe o paciente influente à frente dos outros. Kant distinguia o que tem preço, e pode ser trocado por algo equivalente, do que tem dignidade, e não admite equivalente. Para ele, cada pessoa deve ser tratada sempre também como fim, nunca apenas como meio. Ao operar o menino em vez do prefeito, Tenma age como se as duas vidas valessem exatamente o mesmo, sem olhar para o cargo de ninguém.