Cosmos da Filosofia
Duas tochas de pedra, uma acesa e outra apagada, ao pé de um arco de pedra ao entardecer, com uma pá encostada na parede

Sófocles · c. 442 a.C.

Antígona

Uma jovem desafia a proibição do rei de enterrar o irmão morto, em nome de uma lei que diz vir dos deuses.

JustiçaMoralLiberdade

Sobre a obra

Antígona é uma tragédia de Sófocles, escrita por volta de 442 a.C. e encenada em Atenas. Depois que os irmãos Etéocles e Polinices morrem lutando um contra o outro pelo trono de Tebas, o novo rei, Creonte, homenageia Etéocles mas proíbe, sob pena de morte, que Polinices seja sepultado, por tê-lo atacado como traidor. Antígona, irmã de ambos, desafia o decreto e enterra o corpo.

Presa por Creonte, Antígona defende que a proibição contraria leis que atribui aos deuses, superiores às leis humanas, e que por isso vale desobedecer mesmo sob pena de morte. O adivinho Tirésias avisa que os deuses exigem o sepultamento; quando Creonte cede, é tarde: Antígona já se enforcou na cela, e a tragédia se estende ao próprio filho e à esposa do rei.

Encenada durante a expansão do império ateniense, a peça evita alusões diretas à política do momento, mas discute os limites da obediência ao Estado e os perigos da tirania. Tornou-se uma das tragédias mais comentadas da filosofia ocidental, estudada por pensadores como Hegel, Heidegger e Jacques Lacan.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Duas razões em colisão

O filósofo alemão Hegel via em Antígona não uma disputa entre o certo e o errado, mas entre duas razões éticas legítimas que se chocam: o dever da família e dos deuses, defendido por Antígona, e a autoridade da lei da cidade, defendida por Creonte. Para Hegel, a tragédia grega nasce exatamente desse tipo de conflito, em que cada personagem, preso à sua própria verdade parcial, provoca a própria ruína — e é esse choque, não a maldade de um dos lados, que a peça expõe.