Aristóteles e a equidade que corrige a lei
Aristóteles chamava de epiqueia a correção que a justiça às vezes precisa fazer na própria lei, quando aplicá-la ao pé da letra, num caso concreto, produziria uma injustiça. É esse tipo de correção que a Compadecida exerce diante de Manuel: não anula o julgamento, mas intervém para que a sentença leve em conta as circunstâncias de vida de cada um — a pobreza de João Grilo, a violência que formou os cangaceiros —, em vez de aplicar a mesma régua a todo mundo. A misericórdia da peça, nesse sentido, não se opõe à justiça: é uma forma mais fina dela.






