
séc. I a.C.–V d.C.
Filosofia Romana
Roma absorve a filosofia grega e a transforma em prática de vida — sobretudo o estoicismo de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio.
Roma aprende a pensar em grego — e depois em latim
Quando Roma se torna senhora do Mediterrâneo, as grandes escolas filosóficas continuam a ser gregas: o estoicismo, o epicurismo, o ceticismo da Academia e as tradições de Platão e Aristóteles. O que muda é quem as lê e para quê. Os romanos recebem essa herança e passam a escrever filosofia em latim, adaptando conceitos, criando vocabulário e dando à filosofia uma orientação ainda mais prática: um modo de conduzir a vida pública e privada.
Este período atravessa momentos muito diferentes da história romana — o fim da República, marcado por guerras civis; o Império de Augusto e de seus sucessores; e, já no fim, a Antiguidade tardia, quando uma nova forma de platonismo se torna a filosofia dominante e começa a dialogar com o cristianismo.
Cícero: o político que traduziu a filosofia
Marco Túlio Cícero (106–43 a.C.) foi um dos homens mais importantes da política romana. Chegou ao consulado em 63 a.C., quando reprimiu a conspiração de Catilina; foi exilado em 58 a.C. e voltou no ano seguinte; viveu a guerra civil entre César e Pompeu, a ditadura de César e o assassinato do ditador em 44 a.C. No ano seguinte, foi morto por ordem de Marco Antônio.
Sua produção filosófica concentra-se em dois momentos. Entre 54 e 51 a.C., escreveu Sobre a República, Sobre as Leis e Sobre o Orador. Entre 45 e 44 a.C., afastado da política, compôs em ritmo extraordinário os Acadêmicos, Sobre os fins, as Discussões Tusculanas, Sobre a natureza dos deuses e Sobre os deveres.
Cícero adotou o ceticismo acadêmico: acreditava que a certeza era inatingível e que o melhor era examinar os argumentos dos dois lados. Por isso preferia a forma do diálogo, colocando em confronto estoicos, epicuristas e acadêmicos. Seu papel foi decisivo na transmissão da filosofia grega para o mundo latino e na criação do vocabulário filosófico em latim — e os estudiosos reconhecem cada vez mais sua contribuição própria.
Lucrécio: o epicurismo em versos
Tito Lucrécio Caro viveu aproximadamente entre meados dos anos 90 e meados dos anos 50 a.C. Sua obra, Sobre a natureza das coisas (De rerum natura), é um poema didático em seis livros que expõe a física de Epicuro. Cícero o menciona em uma carta de fevereiro de 54 a.C., elogiando seu brilho e sua arte.
O poema percorre:
- nos livros 1 e 2, os átomos e o vazio e o movimento dos átomos, incluindo o desvio que permite as colisões;
- nos livros 3 e 4, a natureza da alma, sua mortalidade, a sensação e o pensamento;
- nos livros 5 e 6, a cosmologia, a origem da civilização e os fenômenos naturais.
Lucrécio acumula provas de que a alma é mortal e ataca as crenças em vida após a morte. Contra o medo de morrer, apresenta o argumento da simetria: o tempo depois da morte é como o tempo antes do nascimento, que não nos causa nenhum sofrimento. Critica também a ideia de que os órgãos do corpo foram feitos para uma finalidade. O manuscrito do poema foi redescoberto em 1417 pelo humanista Poggio Bracciolini, e as ideias epicuristas voltaram a circular no início da era moderna.
Problemas centrais
As perguntas que este período fez
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